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Melhor entre os governadores do SE, João Doria não ameaça hegemonia de Jair Bolsonaro no Facebook

Atualizado: Abr 22


João Doria (PSDB-SP), governador do Estado de São Paulo (Foto: Agência Brasil)

Destaques


  • O governador de SP, João Doria (PSDB), mostra um forte posicionamento no Facebook em relação aos seus colegas governadores da região Sudeste, mas não ameaça a hegemonia de Jair Bolsonaro na mídia social.

  • O governador do RJ, Wilson Witzel (PSC), apresenta expressão bem menor que seu colega de São Paulo no Facebook, com mais ou menos o mesmo número de postagens.

  • Doria e Witzel têm apostado no Facebook, com um número de publicações bem maior que os outros governadores do Sudeste Renato Casagrande (PSB/ES) e Romeu Zema (Novo/MG).

  • Segundo o professor de Comunicação Política da PUC-Rio, Arthur Ituassu, especialista em mídias digitais, os dados mostram a dificuldade que Doria e mais ainda Witzel enfrentarão, ao menos no terreno digital, em uma suposta corrida à Presidência em 2022 contra Bolsonaro.

Análise


O mês de março de 2020 foi marcado pela chegada da pandemia global do novo coronavírus no Brasil e o consequente conflito entre o Executivo Federal e os governadores acerca da melhor estratégia para se lidar com o problema. Nesse contexto, os mandatários de Rio de Janeiro e, especialmente, São Paulo ganharam destaque com medidas urgentes e desafiadoras das propostas que vieram da Presidência.

Dessa forma, acompanhamos a performance dos governadores Wilson Witzel (RJ/PSC) e João Doria (SP/PSDB) no Facebook durante o mês de março. Também reunimos os mesmos dados relativos aos governadores do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), e de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), a título de referência de comparação com os dois primeiros. Os resultados mostram um desempenho muito superior de Doria.

O azul dos gráficos 01, 02 e 05 mostra a posição de Doria em relação aos outros governadores do Sudeste, nos quesitos: média de interações (reações, comentários e compartilhamentos) por dia; interações acumuladas; e interações por publicação, respectivamente. É fácil notar como Witzel, em rosa, apresenta uma performance bem inferior a do governador paulista, chegando a estar pior que Zema na média de interações por publicação.

Os gráficos 03 e 04 mostram dados sobre o número de postagens dos governadores em março, sendo o primeiro relativo à média de postagens por dia e o segundo, ao total de postagens acumuladas. As curvas azul, de Doria, e rosa, de Witzel, mostram que ambos investiram em postagens no Facebook, provavelmente buscando aumentar o capital político na briga com o presidente Jair Bolsonaro.

No caso do governador carioca, os gráficos mostram também que sua comunicação política na mídia social analisada tem demonstrado baixa eficiência, com um número grande de postagens e baixo grau de interação.


Mas como Doria se sairia em relação à forte presença de Bolsonaro no Facebook? Com a pergunta em mente, coletamos os mesmos dados da página oficial do presidente durante as duas últimas semanas do mês e comparamos com as informações da página de Doria no mesmo período. A comparação mostra a distância que uma suposta candidatura João Doria a presidente teria que percorrer para concorrer com a posição de Jair Bolsonaro ao menos na mídia social analisada.



Nos gráficos acima, as colunas e linhas em vermelho são relativas a Bolsonaro e as azuis, a Doria. O gráfico 07 mede as interações acumuladas no período de duas semanas. O gráfico 10, a média de interações por publicação e o gráfico 06, a média de interações por dia. As postagens do presidente demonstram extrema eficiência, visto que, como mostram os gráficos 08 e 09 – relativos à média diária de publicações e ao número de postagens acumuladas –, Bolsonaro obteve tamanha performance com volume e média diária menores de publicações que o governador paulista.

Segundo o professor de Comunicação Política da PUC-Rio, Arthur Ituassu, especialista em mídias digitais e pesquisador associado ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital (INCT.DD), os dados levantados mostram a força de Jair Bolsonaro no Facebook e as dificuldades que Witzel vai enfrentar para alçar objetivos políticos mais ambiciosos.

“É claro que uma análise qualitativa das postagens pode dar mais subsídios para uma interpretação mais cuidadosa da situação. No entanto, é bastante notório o capital político que Bolsonaro conquistou no Facebook, que não é de agora mas vem sendo trabalhado desde 2014 pelo menos. Com isso, está totalmente à mostra a dificuldade que Doria terá nesse ambiente em seu intuito de concorrer à Presidência em 2022 e, talvez, os obstáculos maiores ainda de Witzel nesse caminho, cuja comunicação política parece não apresentar resultados, dado o grande número de postagens do governador do Rio sem resultados expressivos em termos de interação”, afirmou o professor para este relatório.


Como foi feito o estudo


A coleta dos dados foi feita com o auxílio de softwares hospedados no Departamento de Informática da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Os dados foram coletados das páginas oficiais dos atuais governadores da região Sudeste do Brasil no Facebook durante todo o mês de março e do presidente da República Jair Bolsonaro, durante a segunda metade do mesmo mês, entre 16/03 a 31/03/2020. A organização e a visualização dos dados foram feitas pela equipe do ePOCS – Laboratório de Mídias Sociais e Opinião Pública da PUC-Rio.

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Veja outros relatórios. O ePOCS é um projeto de parceria Universidade-Empresa entre a PUC-Rio e a startup ARENA DIGITAL. PUC-Rio: Prof. Arthur Ituassu, Departamento de Comunicação (PUC-Rio) Prof. Sérgio Lifschitz, Departamento de Informática (PUC-Rio)

Arena Digital:

Felipe Murta, doutorando em Comunicação (PUC-Rio) Raul Pimentel, graduado em Comunicação (PUC-Rio)

Pesquisadores associados:

Daniel Schwabe - Prof. Titular do Departamento de Informática da PUC-Rio

Rafael Pereira - Dr. Informática PUC-Rio


Estagiário:

Yago Cury, mestrando em Comunicação (PUC-Rio)

Os objetivos do ePOCS são: Desenvolver mecanismos de busca e extratores de dados para mídias digitais; analisar conteúdo digital como opinião pública e/ou comunicação política; investigar tecnologias, bancos de dados e métodos computacionais para análises de grande volume de dados.


O ePOCS segue as recomendações éticas da Association of internet researchers (AoIR).

Foto: Agência Brasil Não reproduzir sem a autorização do autor.

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